quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Os Filtros do Indivíduo

Vivemos em uma época conturbada, violenta, frenética, onde, a todo o momento cada um de nós é bombardeado por toneladas de informações, informações estas, que nos atingem através das mais variadas formas utilizando todos os cinco sentidos humanos. Esta grande quantidade de informação, a princípio, aparentemente benéfica, está tornando a sociedade um conjunto de “engrenagens” que giram para todos os lados possíveis sem uma sincronia. A falta desta sincronia desestabiliza o conjunto, fazendo com que o conhecimento não possa ser gerado na sua totalidade, permitindo, desta forma, a criação de fracos “pilares” para as próximas gerações. Todas estas “torrentes” informativas que nos alcançam são na sua grande maioria dispensáveis por trazerem conteúdos não relacionados corretamente com nosso interesse, por trazerem tópicos falsos, meias verdades ou experiências vividas pelo próprio autor que publicou o material e que não se aplicam ao usuário. Isto significa que, cerca de noventa por cento da informação jogada sobre o ser humano interessa ao nosso próximo ou a nós mesmos em outra situação e não supre desta forma, a necessidade do momento.
Tentar absorver toda informação que nos atinge é uma verdadeira loucura, um turbilhão de cores, de formas, de texturas, de sons, de odores e ideologias é disparado sobre as sociedades, tornando-as "cegas" ou confusas. Tentar dar um passo baseado neste ou naquele conceito pode parecer algo comum e quase que automático, porém, acredite, você não faz isto sem uma base já estabelecida há muito tempo. Onde você costuma tomar café fora de casa? Em qual loja você faz suas compras? Porque você usa esta marca de roupa? Perguntas simples, mas, carregadas de informações que a muito tempo estão com as pessoas, a ponto de, permitirem que as mesmas formem uma base sólida para a geração de um conceito.
Segundo o Dicionário Aurélio: Filtro - [Do b.-lat. filtru, ‘feltro’, pelo fr. filtre.] Substantivo masculino. 1. Qualquer peça de material poroso (como papel, cerâmica, etc.) ou com pequenos orifícios, através da qual se faz passar líquido, ou gás, para que sejam retiradas partículas sólidas que neste estejam dispersas.
Como havia dito antes, tentar absorver tudo ou absorver informações desnecessárias nos tornam “peças” fora da sincronia do conjunto. Nos dias de hoje, precisamos desenvolver habilidades seletivas de grande magnitude, ou seja, filtros de informações. Filtrar apenas o que realmente nos interessa em um dado momento ou a longo prazo, irá permitir que um grande conjunto de dados sejam armazenados para uma posterior construção de conhecimento. A falta do uso deste filtro pessoal transforma as pessoas em grandes sistemas que apenas “copiam e colam” fragmentos de forma a reproduzir a amostra coletada. Assim, nada fica, as idéias são apenas passadas de um lado para outro, o senso crítico não se forma e o conhecimento não é construído.
A velocidade com que a tecnologia da informação está avançando nos dá milhares de novas janelas comunicativas, ao passo que, nossa mente consegue assimilar apenas parte disto. As vias de informação são muitas e não param de crescer, porém, cada vez menos se percebe conhecimento circular por estas vias. Devido a este acelerado desenvolvimento tecnológico das redes, as pessoas elegem núcleos virtuais como fonte absoluta de toda informação que necessitam. Não estou afirmando que o uso do Google ou da Wikipédia não são válidos, no mundo físico, confiar em um único autor ou em uma única revista, são atitudes que também não permitem cem por cento de segurança.
Coletar, absorver, filtrar e armazenar, esta é a tarefa que temos que praticar de forma eficaz, caso contrário, a população do mundo poderá se tornar um povo zumbi, regido pela primeira ordem que lhe for dirigida. Além disto, a loucura e um aumento nos erros pessoais tendem a crescer devido a uma aplicação infeliz de informação. Informação gera ação e a conseqüência desta ação vai gerar uma nova informação que pode ser totalmente equivocada, formando um círculo de problemas intermináveis.
Quantos e-mails você tem?
Porque seu documento não está armazenado em uma estrutura on-line?
Quantos cartões de crédito você tem?
Porque o seu filho foi mal em matemática?

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